
Porque ela usava trança. Hoje acho que era por isso que ela tinha tanto problema. A minha vó dizia que cada nozinho da trança era um problema da vida. Mas a menina nem acredita em vó. “Ora, elas existem”, tentei retrucar. A menina gostava era de deixar a trança cada vez maior. O cabelo crescia e os nós da vida aumentavam. Eu a vi chorando. Lavando a louça e chorando. A água dos olhos misturada com a da torneira parecia encontro de rio com mar. Mas ela dizia que a trança dava sustento pra cabeça. Um peso de cada lado. Eu achei estranho aquilo. Fiquei um tempão achando esquisita aquela cabeça equilibrada. Disse à Nina um dia, mas ela abriu o jornal como se eu nem tivesse ali. Menina de trança num vira mulher nunca. Pode até colocar vestido de noiva, que de trança parece criança fantasiada de adulta. Não Cresce. Mas ela teimava em não ver a maldade da trança. Com aquele penteado nem a tristeza dela era levada a sério. Só a cabeça que era. Reta, no lugar. Mas um dia ela desfez por um tempo, balançou o rosto e deixou o cabelo dançar. Eu perguntei a razão daquela rebeldia. E ela explicou. “Porque descobri que cabeça às vezes tem que cair”.
(Imagem: Munch)
5 comentários:
Nossa. Dessa vez vc me fez chorar...
Beijos da Mari
Demorou pra atualizar mas agora entendi porque. Esse texto tá demais de lindo, não são só suas matérias que me enchem de orgulho. Amo muito mesmo.
Meu Deus....
As vezes entendovocê...as vezes acho que pode valer a pena...
Porque tenho certeza que suas palavras acalmam, salvam, alegram...
Te amo !
Lindos textos
é a Marcelinha
Mari, flor, bom te ver por aqui, viu. Limã, vc me mata com seu elogios e "irmazinha" se minhas palavras te fazem bem, já valeu a pena. Bjos nas 3
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