

Eu a conheci em sua própria casa. Acho estranho dizer muito prazer no lar alheio, mas foi assim que se deu. Bianca tinha pássaros e peixes. Muitos deles. Só mesmo uma pessoa exclusivamente centrada no próprio universo pode brincar de aprisionar estes bichos. Ela é assim, sempre em primeiro lugar. Atende ao telefone no segundo toque, pois interessa a ela corresponder rapidamente àqueles que querem lhe oferecer qualquer tipo de atenção. Passa de leve a nervosa com a rapidez de uma noite curta e sua múltipla personalidade é menos por ser complexa e mais para poder acolher um leque muito variado de admiradores. Não, ela nunca admira nada. Desde pequena prefere ser alimento a alimentar-se e só come mesmo com único objetivo de engordar para ser mais atrativa quanto comida.
Tão divertida em si. Parece mesmo uma grande piada em forma humana alguém que se leva tão a sério, enquanto descansa vendo peixes no aquário. Assim, esparramada, ela consegue ser agradável com todo seu entorno. Metade por dissimulação e a outra por carência explícita. Só os que usam lentes – daquelas que avistam as entrelinhas – conseguem sentir certo desconforto diante de tanta unanimidade. Mas nem chega a ser desconfiança. A falsidade quase sempre conta com a garantia de anos de credibilidade. E a dela ainda tem o álibi de ser maquiavélica a fim de conseguir abraçar a todos como um grande vulcão em erupção. Derramando seus desejos como larva quente. Não. Nenhum passarinho dos muitos daquelas mais de três gaiolas tinha vontade respeitada – nem os peixes. Ah, sim, nome todos eles tinham. Os nove passarinhos e os doze peixes chamavam-se Bianca.
[mesmo quando o sexo entregava outra terminação.]
( imagem: Magritte)
3 comentários:
"Todos os meus peixes se chamam Paco..."
Lindo o seu blog...
nossa, acho q tb conheço ela. trabalha aqui, comigo... rs
lindo!
beijos
nossa, acho q tb conheço ela. trabalha aqui, comigo... rs
lindo!
beijos
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