
- Joga logo fora isso, Marina. Sei pra que ficar guardando coisa velha.
- Vovó é velha e nem por isso a jogamos fora.
- Mas que coisa besta essa mania que tu tem de comparar coisas tão diferentes. Desde pequena é isso, Marina. Às vezes ninguém te agüenta por isso, sabia?
- E nesse caso, também querem me jogar fora?
- Ai meu Deus. É Marina, dessa vez acho que tu tá certa. Por muitas vezes da vontade de te jogar fora.
- E das vezes que não dá?
- Ué, aí não dá, oras.
- E se já tivessem jogado, como fariam com as vezes que não dá?
- Sei lá, Marina, não se joga gente fora é só modo de dizer.
- Não se joga?
- Eu troco o lixo do banheiro duas vezes por dia e nunca que eu vi pessoa lá dentro sabia, Marina?!
- Mas outro dia eu te vi chorar
- E o quê que tem?
- Não tava chorando porque jogou alguém fora?
- Não, Marina, claro que não. Tava chorando por causa do Berê.
- Ah, então tava chorando porque te jogaram fora.
(imagem: Max Ernst)
(imagem: Max Ernst)
7 comentários:
Tão sensível. Marina me parece uma criança muito sábia.
Eu que esses dias pensei em um diálogo para o meu blog.
Quanta sintonia.
Amei o texto.
Gosto quando você usa a simplicidade para falar de qustões que são mais que isso. Genial.
Oi, Julinho, viu uma criança em Marina, foi? Bom quando você escreve aqui. bjão
Lola, e eu que tava pensando hoje em te cobrar pq há tempos não vejo seu nome aqui entre as coisinhas da bailarina.
Amo os dois.
Lina
Temporal e Marcela estão certos quando falam em criança e simplicidade. Algum insensível pode até supor que Marina é bem chatinha, mas ela na verdade é sábia. Parabéns.
Eu também vi uma conversa de criança. Adoro escuta-las. Às vezes invejo a simplicidade delas.
Ah, gosto da Marina por enganar assim. Tem gente que conserva certas indagações que só as crianças têm. E passa a ter em qualquer fase. A Marina é assim e vou apresentá-la melhor em outros textos. Rô, adoro quando vc comenta. Bjos
Lindo. Fico feliz em ser Marina.
tenho tanto pra te contar... e tu sempre longe
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