
Eu vi uma rua grande que desce em ladeira quase reta, numa inclinação tênue que muda toda a fotografia de quem olha contra o sol. Os carros lá em cima exalam um prateado que lembra água. Apertei meus olhos como quem duvida porque nunca imaginei que efeito de sol em carro fizesse um brilho quase marinho. Que cena bonita em meio a movimentada rua Pamplona. E depois de um tempo encarando o sol as lágrimas do desafio fazem com que a cena ganhe uma neblina. O ar turvo muda a conotação da água de lata, esbanjando para quem observa como existem as possibilidades.
25/04/2006
(imagem: Retrato de Raquel, Antônio Bandeira. Porque a Raquel parece também ter visto a água de lata)
3 comentários:
Por que Raquel tem um rosto triste se a água em lata exala um lindo brilho marinho?
A ladeira da Pamplona é tão íngrime assim?
Esperava tu escreveres e, como sempre, valeu a pena. Muito, muito, muito bom!
Semicerrar os olhos - e ver tudo como se brilhasse feito água refletindo o sol - é de uma beleza sem par. E eu também moro numa ladeira.
Postar um comentário