
Elas riram daquele caminho porque gostavam dele. Se distribuíssem as atividades do dia pelo número de horas não haveria motivos para sorrir tanto, mas quem se importa com isso. Algumas pessoas (nossa o metrô tava cheio delas) se importam, mas elas só queriam mesmo era saber do desenho.
- Precisamos do desenho, Erre.
- Sim, sim e vamos encontrá-lo.
Era uma alegria estar na estação e era uma ainda maior atravessar a rua e ter o parque, o café e a pinacoteca.
- Gosto desse lugar, Erre. Passaríamos dias aqui, você não acha?
- Acho. Também me sinto muito bem.
- Ai, mas tem essa abelha. Ela não quer sair, Erre.
Elas tentam espantar o incômodo.
- Mas que insistente, acho que gostou de nós.
- E eu acho que achamos o moço do desenho, 2. Veja!
- Não acredito, Erre, não acredito. Estou tão feliz.
Correr em direção ao desenhista não o assustou. Ele até parecia já saber. E tava entretido, em sua tarefa de olhar e desenhar. O tal artista era como 2 e Erre, não se importava muito com as coisas que preocupam uma maioria.
- Queremos um desenho.
- Olá, meninas, como são bonitas.
- Obrigada. Você pode desenhar?
- Eu sempre desenho, assim como falo com os bichos.
- Fala?
- Sim, falo e ouço. E mandei aquela abelha ficar perto de vocês. Também pedi que ela as trouxessem até mim.
- De verdade? Mas ela nos incomoda.
Ele riu.
- Então vou pedir ao passarinho.
- Ah, sim, seria melhor.
Ele então falou com o passarinho, mas elas não conseguiram ouvir nenhuma palavra.
- O senhor pode desenhar?
- Posso, é o que sempre faço.
- E para a gente?
Ele riu novamente. Parecia mágico. Erre era mais ansiosa, mas ambas estavam sob encanto.
- Temos essas duas fotos e queremos que o senhor desenhe. Faça essas duas pessoas só que com a técnica da Literatura de Cordel. O senhor conhece?
Ele cismava em sorrir.
- Temos um cordel, Erre.
- É moço, é isso aqui.
- Faço, sim. E vocês podem aguardar ali (aponta para uma mesa afastada) e conversar bastante, vou pedir ao passarinho que escute vocês.
As meninas obedecem e andam enquanto o desenhista grita.
- Eu falo mesmo com os animais. Eles me escutam. Não duvidem, meninas, não duvidem.
Elas não queriam duvidar. Não havia no mundo história mais bonita do que aquela, e o questionamento roubaria sua existência. Foram até a mesa indicada, sentaram ao lado e viram o passarinho se achegar. Fecharam os olhos e pensaram com força para que fosse tudo a mais pura verdade e assim ficaram por um tempo.
- E é.
- Precisamos do desenho, Erre.
- Sim, sim e vamos encontrá-lo.
Era uma alegria estar na estação e era uma ainda maior atravessar a rua e ter o parque, o café e a pinacoteca.
- Gosto desse lugar, Erre. Passaríamos dias aqui, você não acha?
- Acho. Também me sinto muito bem.
- Ai, mas tem essa abelha. Ela não quer sair, Erre.
Elas tentam espantar o incômodo.
- Mas que insistente, acho que gostou de nós.
- E eu acho que achamos o moço do desenho, 2. Veja!
- Não acredito, Erre, não acredito. Estou tão feliz.
Correr em direção ao desenhista não o assustou. Ele até parecia já saber. E tava entretido, em sua tarefa de olhar e desenhar. O tal artista era como 2 e Erre, não se importava muito com as coisas que preocupam uma maioria.
- Queremos um desenho.
- Olá, meninas, como são bonitas.
- Obrigada. Você pode desenhar?
- Eu sempre desenho, assim como falo com os bichos.
- Fala?
- Sim, falo e ouço. E mandei aquela abelha ficar perto de vocês. Também pedi que ela as trouxessem até mim.
- De verdade? Mas ela nos incomoda.
Ele riu.
- Então vou pedir ao passarinho.
- Ah, sim, seria melhor.
Ele então falou com o passarinho, mas elas não conseguiram ouvir nenhuma palavra.
- O senhor pode desenhar?
- Posso, é o que sempre faço.
- E para a gente?
Ele riu novamente. Parecia mágico. Erre era mais ansiosa, mas ambas estavam sob encanto.
- Temos essas duas fotos e queremos que o senhor desenhe. Faça essas duas pessoas só que com a técnica da Literatura de Cordel. O senhor conhece?
Ele cismava em sorrir.
- Temos um cordel, Erre.
- É moço, é isso aqui.
- Faço, sim. E vocês podem aguardar ali (aponta para uma mesa afastada) e conversar bastante, vou pedir ao passarinho que escute vocês.
As meninas obedecem e andam enquanto o desenhista grita.
- Eu falo mesmo com os animais. Eles me escutam. Não duvidem, meninas, não duvidem.
Elas não queriam duvidar. Não havia no mundo história mais bonita do que aquela, e o questionamento roubaria sua existência. Foram até a mesa indicada, sentaram ao lado e viram o passarinho se achegar. Fecharam os olhos e pensaram com força para que fosse tudo a mais pura verdade e assim ficaram por um tempo.
- E é.
Gritou ele de longe já com o passarinho de volta.
(Imagem: O gato perseguindo o pássaro, de Miró. 2 não gosta de gatos, mas ama passarinhos e Erre tatuou parte desse obra no corpo. O três gostam de arte.)
4 comentários:
Hoje a caminho do trabalho, sem saber o motivo, senti uma saudade imensa do meu cachorrinho que morreu há uns 2 anos e do meu papagaio que tive com 14 anos.
E quem se importa?
Lua,
Hoje fiz algo importante e espero que o melhor aconteça! Fiz hoje, bendito domingo. Curioso foi que caminhando pela cidade, vi tantos pássaros e me perguntei o que traziam...... desejo que boas notícias.
Beijoca,
Mari
Hj meus pássaros fugiram assustados do seu leito de folhas, com os estampidos que saudaram o Ano Novo.Por quê o brilho dos fogos não pode existir sem os estampidos?...
Bjs nessa Lina linda e 2009 cheio de poesia.
Quando eu li isso quis comentar, mas não tem muito a ser dito, está perfeito, até nos erros, pois como a vida assim o é, perfeita, até quando achamos estar errado, por que não conseguimos enxergar o destino, somente olhamos pra baixo, onde pisamos, não pra onde estamos indo. Quando saímos da linha reta e o caminho muda, reclamamos, mas não vimos o canyon que não nos deixaria continuar, a estrada não é uniforme mas no leva aonde devemos ir.
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