terça-feira, 9 de junho de 2009


Mas aquela porta escura estava descascada. Um buraco de transparência dava ao meu olhar um passar de pernas distintas. Ela estava fechada, porém aberta no pequeno descuido. Talvez tenha sido o tempo o causador daquele defeito ou um material vulgar e barato. Ou quem sabe ainda, a culpa seja de uma daquelas pessoas que guardam um vandalismo adolescente, ou de um desconstrutor. O que penso é ter um filme em duas nuances ali na porta fechada com pernas que passam escuras pela maior parte da porta e coloridas naquele pedaço transparente. Quem deseja ser porta deveria desejar também ter um pequeno erro. Uma porta certa, perfeita, encaixada cai no risco de se fechar em mofo. O defeito, veja bem, permite a variação. Quem quiser ser constante, que seja porta reta e conservada. Serei, por vezes, alimento de cupins.
Obra: Roda de bicicleta, 1913, de Marcel Duchamp, um grande provocador. A idéia também é arte.

6 comentários:

Temporal disse...

E a roda traz mais cupins ao banco.

Lindo texto.

meu banzo disse...

toda vez entro aqui na esperança de um post novo

mas aí, ao me deparar com o que já estava, releio

e num é que eu num canso nunca de mais uma vez os q eu já vi?

lindo!

um beijo da Mari

Lina disse...

Fico feliz com a presença de vcs dois aqui no blog. Tenho que me dedicar mais ao meu debailarina.
bjos

mariana disse...

Estava com saudades de ler o que escreve. Quem sabe o buraco descuidado não vira a porta inteira? Mas talvez perca a graça.
Muita saudade.

Greg disse...

legal, gostei do texto.

bjo

Temporal disse...

Qual o título desse texto?

Quando vem mais?