
Ontem eu estava andando sem mãos e é tão estranho. Passei a tentar sentir sem ter em mãos. Fiquei parada nessa rua tentando para depois chorar sozinha porque o que senti foi pouco. Juntei uma mão na outra e lhe dei nomes diferentes para acreditar que, sim, eram pessoas dadas, mesmo que fossem pessoas eu. Mas não me convenci, pois não quero me bastar sozinha. Desejo precisar dos outros. É dependência demais não precisar de ninguém, por mais que pareça o contrário. Quero poder ligar e pedir “vem aqui” ou “deixa eu ir”.
Imagem: Café Terrace, Van Gogh. Minha mesa é aquela vazia.