
Escrevi muita coisa sobre o Zé e depois apaguei tudo. Só quero dizer que eu estava muito triste naquele dia, tomada pelo fim do sentido de todas as coisas que vez ou outra me pega de jeito. Tudo se esvazia e não quero mais nada. São dias em que me faço anoitecer. Foi aí que eu, meu cigarro e meu nada esbarramos nele. O Seu Zé anda olhando para baixo e tem sorriso generoso de quem acha a vida simples. Senta na frente da TV e come com gosto o feijão, o arroz e a farinha requentada do outro dia. Come e oferece, enquanto se diverte assistindo pica-pau. Ah, e ele percebe tristeza de bicho (“A galinha tava se sentindo só, por isso parou de comer”). Mal sabe ele como me ensinou coisa bonita em dia chuvoso. "Tchau Seu Zé, até amanhã". “Se Deus quiser”. E eu sempre penso que ele há de querer.
2 comentários:
Que bom que seu Zé aparece... mesmo quando está distante, mesmo quando parece sumido.
Saudades do teus escritos. De ti!
Beijos
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